A Ilha do Catalão na Baía de Guanabara foi uma das formações naturais que existiam no arquipélago da antiga Enseada de Inhaúma, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Durante as obras da Cidade Universitária, os canais ao seu redor foram aterrados e o território passou a integrar a atual Ilha do Fundão.
Embora tenha perdido sua condição geográfica de ilha isolada, o Catalão preservou parte do relevo e da vegetação original. Atualmente, a área abriga o Parque da Mata Atlântica Frei Velloso, um espaço ambiental administrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O local reúne fragmentos florestais, restinga, manguezal, uma lagoa influenciada pelas marés e ambientes utilizados em atividades de ensino, pesquisa, extensão e educação ambiental. Não existe, portanto, uma ilha separada para desembarque marítimo, mas uma área verde integrada à Cidade Universitária.
📍 Onde ficava a Ilha do Catalão?
A antiga Ilha do Catalão ficava na área atualmente ocupada pela Cidade Universitária da UFRJ, na porção oeste da Baía de Guanabara. Seu território estava situado na extremidade norte do conjunto de ilhas existentes diante de Manguinhos.
Antes dos aterros, o Catalão era separado das formações vizinhas por canais, baixios e áreas de manguezal. Próximas a ele estavam ilhas como Cabras, Fundão, Bom Jesus, Sapucaia, Baiacu e os dois Pindaís.
A área correspondente ao antigo Catalão encontra-se atualmente dentro da Ilha do Fundão. O Parque da Mata Atlântica Frei Velloso conserva aproximadamente 17 hectares no setor onde existia a formação insular natural.
🗺️ A Ilha do Catalão ainda existe?
A Ilha do Catalão não existe mais como formação cercada pelas águas. Os canais que a separavam das demais ilhas foram preenchidos durante as obras de implantação da Cidade Universitária.
Isso não significa que todo o seu terreno tenha desaparecido. Parte do relevo natural foi mantida e incorporada ao território ampliado pelos aterros. A UFRJ identifica atualmente essa área como Península do Catalão ou Parque da Mata Atlântica Frei Velloso.
Sua antiga linha costeira já não pode ser reconhecida facilmente na paisagem. Para compreender o formato original, é necessário comparar mapas e fotografias anteriores às obras com a organização atual do campus.

📚 História da Ilha do Catalão
A Ilha do Catalão fazia parte do antigo arquipélago situado na Enseada de Inhaúma. A região foi escolhida em 1945 para receber a Cidade Universitária da então Universidade do Brasil, atual UFRJ.
Entre 1949 e 1952, um amplo projeto de aterramento uniu oito ilhas. O Catalão foi incorporado ao novo território, mas parte de seu relevo e de sua vegetação foi preservada desde o planejamento inicial do campus.
A área também teve diferentes ocupações. Segundo a Prefeitura Universitária, existiam residências e atividades comerciais no Catalão durante a década de 1970. O parque ainda conserva vestígios associados a antigos ocupantes, incluindo ruínas conhecidas como Bar do Galvão e Casa de Dona Sinhá.
Em 1996, aproximadamente 40 mil mudas foram plantadas em uma grande ação de reflorestamento. No ano seguinte, foi criado o Parque da Mata Atlântica Frei Velloso, consolidando a finalidade ambiental, científica e educacional da área.
🧭 Qual é a origem do nome Catalão?
A denominação Catalão aparece em registros institucionais e históricos relacionados à antiga ilha. Entretanto, as fontes oficiais não apresentam uma explicação documental conclusiva para a origem do nome.
Documentos e fontes oficiais não confirmaram se a palavra estava associada a um antigo proprietário, morador, característica geográfica ou expressão indígena. Por esse motivo, versões etimológicas devem ser apresentadas com cautela, sem serem tratadas como fatos comprovados.
Atualmente, o nome permanece vivo nas expressões Península do Catalão, Parque do Catalão e Parque da Mata Atlântica Frei Velloso – Catalão.
🧱 Como o Catalão foi incorporado à Ilha do Fundão?
A incorporação ocorreu durante a construção da Cidade Universitária. O projeto preencheu os canais e áreas rasas existentes entre as formações naturais, criando uma grande superfície terrestre contínua.
Os trabalhos modificaram as margens, elevaram terrenos e abriram espaço para avenidas, edifícios e instalações acadêmicas. A antiga Ilha do Catalão deixou de estar separada das demais, passando a integrar a atual Ilha do Fundão.
Diferentemente de setores totalmente aterrados, o Catalão manteve uma porção significativa de seu relevo natural. Essa preservação ajuda a compreender por que a área atual apresenta vegetação mais densa e características diferentes das grandes superfícies planas do campus.

🧩 O papel do Catalão na formação da Cidade Universitária
O Catalão foi uma das oito ilhas efetivamente unidas para formar a Cidade Universitária. As outras eram Fundão, Sapucaia, Bom Jesus, Baiacu, Cabras, Pindaí do França e Pindaí do Ferreira.
As cinco menores eram Catalão, Baiacu, Cabras e os dois Pindaís. Fundão, Sapucaia e Bom Jesus possuíam áreas maiores. Após os aterros, os limites entre essas formações deixaram de ser visíveis.
A Ilha do Pinheiro apareceu no planejamento inicial, mas não foi fisicamente incorporada à Ilha do Fundão durante essa etapa. Ela permaneceu separada e foi ligada ao continente décadas depois, em outro processo de aterramento.
🌳 O que existe atualmente na área do Catalão?
O antigo território abriga o Parque da Mata Atlântica Frei Velloso, mantido pela Prefeitura Universitária da UFRJ. O espaço possui cerca de 17 hectares e está situado na extremidade norte da Cidade Universitária.
O parque funciona como área de preservação, corredor ecológico e espaço para ensino, pesquisa e extensão. A entrada fica próxima ao antigo hangar de hidroaviões, em uma região relacionada à antiga Ilha das Cabras.
A área não deve ser confundida com o Horto Universitário. O horto fica na Praça Jorge Machado Moreira e produz mudas e outros insumos destinados à manutenção das áreas verdes da universidade. Apesar de serem administrados pelo mesmo setor, são espaços diferentes.
🌴 Parque da Mata Atlântica Frei Velloso
O Parque da Mata Atlântica Frei Velloso foi criado em 1997. Seu nome homenageia Frei José Mariano da Conceição Velloso, botânico brasileiro do século XVIII.
As fontes institucionais apresentam pequenas variações na grafia, utilizando formas como Velloso, Vellozo e Veloso.
A gestão é realizada pela Coordenação de Operações Urbano-Ambientais da Prefeitura Universitária. Entre suas atribuições estão a conservação das áreas verdes, o manejo da vegetação, a promoção de visitas guiadas e o apoio a atividades acadêmicas.

🍃 Ambientes naturais preservados
O Catalão conserva diferentes ambientes associados ao bioma Mata Atlântica. Entre eles estão fragmentos de floresta ombrófila, vegetação de restinga e áreas de manguezal.
Também existe uma lagoa abastecida durante as marés altas. Essa ligação demonstra que, apesar dos aterros, parte da área ainda mantém contato com a dinâmica costeira da Baía de Guanabara.
O parque passou por reflorestamento e introdução de espécies destinadas à arborização do campus. Por isso, sua vegetação atual combina remanescentes naturais, áreas recuperadas e exemplares plantados ao longo das últimas décadas.
🦜 Fauna encontrada no Catalão
O parque oferece abrigo e alimento para diferentes grupos de animais. Um levantamento divulgado pela UFRJ em 2023 apontou aproximadamente 150 espécies de plantas e 127 espécies de aves na área. Outras páginas institucionais registram números mais elevados conforme novos estudos são realizados.
No conjunto da Cidade Universitária, já foram observados mamíferos, aves, répteis, peixes, crustáceos e diversos invertebrados. Capivaras, saguis, gambás, calangos, borboletas e animais ligados aos manguezais aparecem em levantamentos recentes.
A quantidade e a variedade de animais podem mudar conforme a estação, a disponibilidade de alimento e as condições ambientais. A observação deve ser feita sem aproximação, toque ou alimentação da fauna.
🧪 Importância científica e educacional
O Catalão funciona como um laboratório natural dentro do campus. Cursos como Biologia, Geografia, Geologia, Botânica, Paisagismo e Engenharia Ambiental utilizam a área em aulas de campo, levantamentos e projetos de pesquisa.
A diversidade de ambientes permite estudar sucessão vegetal, restauração florestal, fauna urbana, manguezais, restingas e consequências da poluição costeira.
O parque também recebe ações de educação socioambiental destinadas a estudantes, escolas, pesquisadores e outros grupos. As atividades ajudam a aproximar o conhecimento científico da comunidade e reforçam a importância das áreas naturais existentes dentro das cidades.
🌊 Relação com a Baía de Guanabara
A antiga Ilha do Catalão foi formada naturalmente dentro da Baía de Guanabara e sempre esteve sujeita às marés, aos canais e aos ecossistemas costeiros.
Os aterros eliminaram parte dos canais e modificaram a circulação das águas. Entretanto, o manguezal, a lagoa e outros ambientes do parque ainda mantêm ligação com a baía.
Um dos principais desafios ambientais é o lixo transportado pelas marés. Segundo a Prefeitura Universitária, grande parte dos resíduos encontrados na margem não é deixada pelos visitantes, mas chega pelas águas da Baía de Guanabara.
Esgotos, resíduos sólidos e poluentes também pressionam a biodiversidade da Cidade Universitária. Projetos universitários buscam monitorar esses impactos e desenvolver formas de recuperação dos ecossistemas costeiros.
🚧 Como os aterros modificaram o ambiente?
O preenchimento dos canais transformou um arquipélago em uma grande ilha contínua. A obra suprimiu áreas entre marés, fragmentou ambientes costeiros e modificou a antiga linha de costa.
No Catalão, porém, o planejamento reservou parte do território natural. A preservação do relevo original permitiu que a área fosse posteriormente recuperada e convertida em parque.
A configuração atual resulta, portanto, da combinação entre terreno natural, aterros, reflorestamento e ações de conservação desenvolvidas ao longo das décadas.
🌱 Preservação e recuperação ambiental
A recuperação do Catalão envolve plantios de árvores nativas, controle de vegetação invasora, sinalização, identificação de espécies e manutenção de caminhos.
A Prefeitura Universitária também promove ações de educação ambiental, levantamentos de biodiversidade e iniciativas relacionadas à recuperação de restinga e manguezais.

🚶 É possível visitar o Catalão?
A UFRJ oferece visitas guiadas mediante agendamento. O serviço é destinado ao público em geral, incluindo escolas, estudantes, pesquisadores e demais interessados.
A solicitação deve ser encaminhada com antecedência mínima de sete dias. As visitas são preferencialmente realizadas às terças, quartas e quintas-feiras, entre 9h e 15h, conforme disponibilidade da equipe responsável.
Não se trata de um parque turístico com funcionamento independente e infraestrutura permanente de visitação. O acesso deve seguir as orientações da Coordenação de Operações Urbano-Ambientais da UFRJ.
🚌 Como chegar à região do Catalão?
O deslocamento exige chegar primeiro à Cidade Universitária e, em seguida, identificar o setor correto dentro do campus.
Transporte público
O Terminal Fundão é atendido pelo sistema BRT. Linhas municipais e intermunicipais também conectam diferentes regiões do Rio e da Região Metropolitana à Cidade Universitária.
A UFRJ mantém ônibus internos gratuitos que circulam entre a Estação de Integração e diferentes setores do campus. Os itinerários podem ser modificados, devendo ser consultados antes da viagem.
Carro ou aplicativo
Os principais acessos à Ilha do Fundão ocorrem pela Linha Vermelha e pelas conexões com a Avenida Brasil.
Como a Cidade Universitária é extensa, informe o destino exato ou siga as orientações recebidas no agendamento. Utilizar apenas “Catalão” ou “Ilha do Fundão” pode levar a um ponto distante da entrada correta.
Bicicleta
O deslocamento por bicicleta é possível em vias internas, mas exige atenção ao movimento de ônibus, automóveis e veículos de serviço.
O ciclista deve planejar o trajeto, utilizar equipamentos de segurança e confirmar previamente onde poderá deixar a bicicleta durante a atividade guiada.
Transporte aquaviário
Não existe linha pública regular de barca para o Catalão ou para a Cidade Universitária.
A aproximação por embarcação não deve ser usada como alternativa de visitação. O acesso regular ocorre pelas vias terrestres da Ilha do Fundão.
🛰️ Como identificar a antiga Ilha do Catalão?
A antiga configuração só pode ser compreendida adequadamente pela comparação entre mapas históricos, fotografias aéreas e documentos da Cidade Universitária.
Na paisagem atual, o principal elemento de identificação é a área elevada e arborizada do Parque da Mata Atlântica Frei Velloso.
O relevo preservado diferencia o Catalão de grande parte das superfícies planas criadas pelos aterros. Entretanto, não é possível reconstruir visualmente todas as antigas margens apenas caminhando pelo campus.
⚠️ Cuidados ao conhecer a região
• Faça o agendamento com antecedência;
• Siga as orientações dos responsáveis pela visita;
• Permaneça nas vias e nos caminhos autorizados;
• Não retire plantas, pedras ou outros materiais;
• Não alimente nem se aproxime dos animais;
• Não produza fogo ou utilize equipamentos sonoros;
• Recolha todos os resíduos;
• Respeite áreas de pesquisa e setores cercados;
• Evite entrar nas águas próximas;
• Consulte o transporte de retorno antes da visita.
❓ Perguntas frequentes sobre a Ilha do Catalão
As perguntas abaixo reúnem orientações práticas para o visitante.
O que é recomendado levar?
Recomenda-se levar documento pessoal, água, repelente e protetor solar. Todo resíduo produzido durante a visita deve ser retirado do parque.
Crianças podem participar?
A Carta de Serviços não estabelece idade mínima e menciona cuidados específicos para crianças. A participação deve ser informada no agendamento e acompanhada pelos responsáveis pelo grupo.
É permitido fotografar?
Sim. Fotografias e filmagens são permitidas com celulares ou câmeras, mas o uso de flash deve ser evitado para não perturbar a fauna.
É permitido levar animais domésticos?
Não. A entrada de animais domésticos é proibida porque o parque abriga fauna e flora silvestres.
O que acontece quando chove?
As visitas são suspensas em caso de chuva e precisam ser remarcadas conforme a disponibilidade do grupo e das equipes da UFRJ.
É permitido andar de bicicleta dentro do parque?
A bicicleta é permitida somente nas vias autorizadas. Não é permitido circular fora das vias e trilhas demarcadas.
Por que conhecer a história da Ilha do Catalão?
A história do Catalão ajuda a compreender como as obras da Cidade Universitária transformaram o antigo arquipélago da Enseada de Inhaúma.
Embora tenha perdido sua condição de ilha, o território conservou parte do relevo natural e tornou-se uma das áreas verdes mais importantes da Ilha do Fundão.
O Parque da Mata Atlântica Frei Velloso reúne patrimônio geográfico, biodiversidade, memória universitária e pesquisa científica. Sua conservação também reforça a necessidade de proteger os ambientes naturais que ainda mantêm contato com a Baía de Guanabara.
Conhecer essa história permite perceber que, sob as avenidas e os edifícios do campus, ainda permanecem marcas das antigas ilhas que formavam a paisagem antes dos grandes aterros do século XX.



