A Ilha do Bom Jesus na Baía de Guanabara foi uma das formações naturais existentes no antigo arquipélago da Enseada de Inhaúma, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Seu território teve funções religiosas, sanitárias, militares e assistenciais antes de ser incorporado à atual Ilha do Fundão.
A antiga ilha abrigou um convento franciscano, hospitais destinados ao isolamento de pessoas doentes e o Asilo dos Inválidos da Pátria. Entre as construções desse conjunto, a Igreja do Bom Jesus da Coluna é a principal edificação preservada.
Atualmente, não existe uma ilha isolada para desembarque. O território está integrado à Cidade Universitária, em uma área administrada pelo Exército Brasileiro e cercada por setores universitários e tecnológicos. A paisagem ainda mantém vegetação, manguezais e referências da antiga ocupação.

📍 Onde ficava a Ilha do Bom Jesus?
A antiga Ilha do Bom Jesus ficava no interior da Baía de Guanabara, na área que atualmente corresponde ao setor norte da Cidade Universitária da UFRJ.
Ela integrava o conjunto de ilhas da antiga Enseada de Inhaúma, próximo de formações como Fundão, Sapucaia, Catalão, Cabras, Baiacu e os dois Pindaís. Ao norte, a paisagem marítima se relacionava com canais próximos à Ilha do Governador.
Antes dos aterros, a Ilha do Bom Jesus era cercada por águas rasas, canais e ambientes costeiros sujeitos às marés. Mapas e fotografias antigas mostram um território elevado, arborizado e ocupado por construções religiosas e militares.
Atualmente, sua posição pode ser reconhecida aproximadamente pela área onde estão o Santuário Militar do Bom Jesus da Coluna, as ruínas do antigo conjunto assistencial e setores próximos ao Parque Tecnológico da UFRJ.
🔎 A Ilha do Bom Jesus ainda existe?
A Ilha do Bom Jesus não existe mais como uma formação geograficamente separada. Entre 1949 e 1952, os canais que a isolavam foram aterrados durante as obras de implantação da Cidade Universitária.
Isso não significa que todo o terreno natural tenha sido removido. O núcleo original permaneceu, mas passou a fazer parte de uma superfície maior, conhecida atualmente como Ilha do Fundão.
A antiga linha costeira não pode ser identificada facilmente ao nível da rua. Para compreender sua configuração anterior, é necessário comparar mapas históricos, fotografias aéreas e documentos produzidos antes dos aterros.
🗃️ História da Ilha do Bom Jesus
A ilha foi inicialmente conhecida como Caqueirada. Em 1704, foi doada à Congregação dos Frades Franciscanos, passando também a ser chamada de Ilha dos Frades.
Os religiosos construíram uma igreja e uma casa conventual. As obras são geralmente associadas ao ano de 1705, embora a restauração do templo tenha revelado a inscrição “1703” no portal de entrada, deixando uma dúvida sobre a data exata do início da construção.
Durante o período em que a Corte portuguesa esteve no Rio de Janeiro, o conjunto recebeu integrantes da Família Real e celebrações religiosas ligadas a São Francisco de Assis.
Em 1824, o convento foi cedido para funcionar como Hospital da Marinha. Depois, o local recebeu pessoas acometidas por doenças contagiosas, africanos escravizados que chegavam doentes ao Rio de Janeiro e vítimas de epidemias de febre amarela e cólera.
Em 1852, uma escola administrada pelas irmãs do Sagrado Coração de Maria funcionou no local. No ano seguinte, a ilha também passou a receber imigrantes estrangeiros que chegavam ao Brasil.
A construção do Asilo dos Inválidos da Pátria começou em 1867. O conjunto foi inaugurado em 29 de julho de 1868 para acolher militares feridos ou incapacitados durante a Guerra do Paraguai.
Após a Proclamação da República, o conjunto perdeu parte do apoio recebido durante o Império. A administração foi assumida pelo Exército e diferentes edifícios entraram em decadência.
O Asilo dos Inválidos da Pátria permaneceu em funcionamento até 1976. As estruturas anexas foram demolidas ou ficaram em ruínas, enquanto a igreja foi restaurada e preservada.
🏷️ Por que recebeu o nome Bom Jesus?
O nome está relacionado à Igreja do Bom Jesus da Coluna, construída pelos franciscanos no início do século XVIII.
A devoção representa Jesus Cristo amarrado a uma coluna durante os acontecimentos da Paixão. Com a importância adquirida pela igreja, a denominação Bom Jesus passou a identificar toda a ilha.
Os documentos utilizam variações como Ilha do Bom Jesus, Ilha de Bom Jesus e Ilha do Bom Jesus da Coluna. A forma “Ilha do Bom Jesus” é atualmente uma das mais empregadas pelas publicações da UFRJ.
🛐 A presença religiosa na ilha
A ocupação religiosa começou com a doação do território aos franciscanos em 1704. A igreja e a casa conventual organizavam a vida cotidiana e as celebrações realizadas na ilha.
A localização isolada favorecia momentos de retiro, mas também permitia receber visitantes durante festas religiosas. Integrantes da Corte estiveram no local em diferentes ocasiões.
Com a utilização do convento como hospital e, posteriormente, como asilo militar, a igreja continuou oferecendo assistência espiritual a doentes, asilados, militares e familiares.
Depois que o Exército assumiu a administração completa do território, o templo passou a manter uma relação mais direta com a atividade religiosa militar. Atualmente, a edificação é conhecida como Santuário Militar do Bom Jesus da Coluna.
🕯️ Igreja do Bom Jesus da Coluna
A Igreja do Bom Jesus da Coluna é a principal construção preservada da antiga ilha. Seu partido arquitetônico mantém características franciscanas, como galilé, nave única, capela-mor profunda e torre sineira ligada à fachada.
O interior possui paredes relativamente simples, contrastando com os altares e elementos ornamentais. A igreja também conserva imagens religiosas e bens móveis associados à sua trajetória histórica.
O templo foi tombado pelo Iphan em 3 de julho de 1964, incluindo seu acervo. A proteção reconhece sua importância para a história religiosa, militar e arquitetônica do Rio de Janeiro.
Após um longo período de abandono, a igreja passou por restauração conduzida pela Fundação Cultural Exército Brasileiro, com apoio do BNDES, supervisão do Iphan e participação da Escola de Belas Artes da UFRJ.
As obras incluíram reforço estrutural, reparos na cobertura, recuperação de esquadrias, pisos, forros, instalações e elementos artísticos. O templo foi reaberto em agosto de 2008.

🏚️ Instituições que funcionaram na ilha
A Ilha do Bom Jesus recebeu diferentes instituições ao longo de sua história:
• Convento franciscano: núcleo religioso construído no início do século XVIII;
• Hospital da Marinha: instalado no convento a partir de 1824;
• Estruturas de isolamento sanitário: utilizadas para pessoas com doenças contagiosas e vítimas de epidemias;
• Escola religiosa: mantida pelas irmãs do Sagrado Coração de Maria em 1852;
• Hospedaria de imigrantes: recebeu estrangeiros que chegavam ao Rio de Janeiro;
• Asilo dos Inválidos da Pátria: criado para militares incapacitados em conflitos;
• Administração militar: assumiu o conjunto após a saída dos franciscanos.
Essas funções não ocorreram simultaneamente. O território foi adaptado conforme as necessidades sanitárias, sociais e militares de cada período.

🛡️ A relação da ilha com as atividades militares
A ligação militar ganhou destaque com a instalação do Hospital da Marinha e se consolidou com o Asilo dos Inválidos da Pátria.
O asilo foi inspirado em instituições europeias destinadas a veteranos de guerra. Possuía enfermaria, alojamento para oficiais, oficinas, lavanderia, museu militar, iluminação e um sistema sanitário considerado moderno para a época.
Inicialmente, recebeu militares que voltaram da Guerra do Paraguai. Posteriormente, também acolheu combatentes envolvidos em conflitos como Canudos e Contestado.
A área permanece vinculada ao Exército. Por esse motivo, a circulação não deve ser tratada como uma visita comum a um parque ou bairro aberto.
🧱 Como a ilha foi incorporada à Ilha do Fundão?
Entre 1949 e 1952, obras de aterramento preencheram os canais existentes entre oito formações naturais para criar o território da Cidade Universitária.
A Ilha do Bom Jesus foi integrada à atual Ilha do Fundão, juntamente com Fundão, Sapucaia, Catalão, Cabras, Baiacu, Pindaí do França e Pindaí do Ferreira.
Os aterros ampliaram a superfície terrestre, criaram vias e eliminaram a separação marítima entre as antigas ilhas. Parte do núcleo natural do Bom Jesus permaneceu reconhecível pelo relevo mais elevado e pela concentração de vegetação.
A integração física não eliminou seu nome. A expressão Ilha do Bom Jesus continua sendo utilizada por pesquisadores, instituições militares, projetos ambientais e antigos moradores.
🔗 Quais ilhas foram unidas ao Bom Jesus?
Além do Bom Jesus, participaram da formação física da Ilha do Fundão:
→ Fundão;
→ Sapucaia;
→ Catalão;
→ Baiacu;
→ Cabras;
→ Pindaí do França;
→ Pindaí do Ferreira.
A antiga Ilha do Catalão preservou parte de seu relevo e hoje abriga uma importante área ambiental da UFRJ.
A Ilha do Pinheiro apareceu no planejamento da Cidade Universitária, mas não foi incorporada fisicamente ao Fundão durante essas obras. Ela permaneceu separada e foi posteriormente ligada ao continente por outro processo de aterramento.
A proximidade com a Ilha do Governador também ajuda a compreender a posição do antigo arquipélago no setor oeste da Baía de Guanabara.
🏫 O Bom Jesus dentro da Cidade Universitária
O antigo território foi incorporado ao bairro Cidade Universitária, mas não perdeu completamente sua identidade histórica.
A área reúne o Santuário Militar, ruínas do antigo conjunto assistencial, vegetação remanescente e setores relacionados ao Parque Tecnológico da UFRJ.
Embora esteja dentro da Cidade Universitária, o núcleo histórico não é administrado como uma unidade acadêmica convencional. Parte do território pertence ao Exército e possui regras próprias de acesso.
A presença de moradores e famílias de militares também marcou a região durante o século XX. Muitas casas foram demolidas na década de 1970, quando moradores foram transferidos para a Vila Residencial da UFRJ.
O que permanece atualmente?
A Igreja do Bom Jesus da Coluna é a única edificação integralmente restaurada do antigo conjunto histórico.
O convento desapareceu, enquanto partes do Asilo dos Inválidos da Pátria permanecem em ruínas. Essas estruturas não devem ser acessadas sem autorização, pois podem apresentar riscos e estão dentro de uma área militar.
A vegetação e o relevo ainda ajudam a diferenciar o antigo núcleo natural dos terrenos planos criados pelos aterros.
Também permanecem registros históricos, fotografias, documentos, relatos de antigos moradores e acervos relacionados ao Exército e à UFRJ.

💧 Relação com a Baía de Guanabara
A Ilha do Bom Jesus desenvolveu-se em contato direto com as águas, os canais e as marés da Baía de Guanabara.
Durante séculos, o acesso dependia de embarcações. Pacientes, religiosos, militares, autoridades e materiais precisavam cruzar a baía ou os canais próximos para chegar ao local.
Os aterros eliminaram a condição insular, mas parte da antiga orla ainda mantém contato com o ambiente costeiro.
Atualmente, resíduos sólidos, esgoto sem tratamento e outros poluentes transportados pelas águas afetam os manguezais e a biodiversidade da região.
🌾 Como era o ambiente natural?
A formação possuía áreas elevadas, vegetação, margens rochosas, trechos sujeitos às marés e ambientes de manguezal.
A ocupação religiosa e militar modificou progressivamente o terreno, com a implantação de edifícios, caminhos, áreas de cultivo e estruturas de apoio.
Mesmo depois dos aterros, a região conservou fauna e flora. Um levantamento realizado em 2022 registrou mais de cem espécies na área do Bom Jesus, incluindo organismos associados à Mata Atlântica, à restinga e ao manguezal.
🚧 Como os aterros transformaram a paisagem?
O preenchimento dos canais modificou completamente a leitura geográfica da Ilha do Bom Jesus.
A antiga formação passou a estar conectada às demais ilhas, enquanto novas avenidas e terrenos planos foram criados ao redor de seu núcleo original.
Os aterros também alteraram a circulação das águas, reduziram ambientes sujeitos às marés e transformaram as margens.
Essas intervenções permitiram a implantação da Cidade Universitária, mas produziram impactos ambientais que continuam sendo estudados pela UFRJ.

É possível visitar o antigo território?
O núcleo histórico está dentro de uma área militar, portanto o acesso não é livre em todos os dias e horários.
A UFRJ informa que a igreja pode ser acessada em ocasiões específicas, como celebrações dominicais e passeios previamente organizados. As condições devem ser confirmadas antes da saída, pois podem ocorrer alterações ou restrições temporárias.
O visitante não deve tentar acessar ruínas, alojamentos, setores administrativos ou caminhos cercados.
Também não existe uma programação turística permanente para conhecer todo o antigo território da ilha.
🚌 Como chegar à região do Bom Jesus?
O deslocamento começa pelo acesso à Cidade Universitária. Depois, é necessário seguir até o setor do Parque Tecnológico e da área militar.
Transporte público
Linhas municipais e intermunicipais atendem a Cidade Universitária e o Terminal Fundão. A UFRJ mantém ônibus internos gratuitos que circulam entre a estação de integração e diferentes setores do campus.
A linha interna que atende o Parque Tecnológico pode aproximar o passageiro da região, mas não garante entrada no território militar. Os itinerários e horários devem ser consultados antes do deslocamento.
Carro ou aplicativo
O acesso geral à Ilha do Fundão pode ser feito pela Linha Vermelha e pelas conexões com a Avenida Brasil.
Ao solicitar uma corrida, não utilize apenas “Ilha do Bom Jesus”. Informe o Santuário Militar do Bom Jesus da Coluna ou o ponto de encontro fornecido pela instituição responsável.
A entrada de veículos pode depender de autorização e identificação.
Bicicleta
É possível circular de bicicleta pelas vias internas da Cidade Universitária, mas a entrada no território militar deve respeitar as regras locais.
O ciclista precisa planejar o retorno, utilizar equipamentos de segurança e evitar vias com tráfego intenso de ônibus e automóveis.
Transporte aquaviário
Não foi identificada uma linha pública regular de barcas destinada à Ilha do Bom Jesus ou à Cidade Universitária.
A aproximação pela água não deve ser utilizada como alternativa de acesso, pois as margens não funcionam como cais turístico.
🛰️ Como identificar a antiga ilha?
A melhor forma de identificar o território é comparar fotografias antigas com mapas atuais da Cidade Universitária.
O Santuário Militar do Bom Jesus da Coluna funciona como a principal referência física. Sua torre pode ser observada entre a vegetação e permanece como um dos elementos mais reconhecíveis da antiga paisagem.
Fotografias de Marc Ferrez e outros registros históricos mostram a ilha ainda cercada pela água, antes da construção da Cidade Universitária.
Os documentos do Projeto IlhaViva também reúnem mapas, ilustrações, imagens históricas e registros ambientais da região.
⚠️ Cuidados ao conhecer a área
→ Confirme previamente as condições de entrada;
→ Leve documento de identificação;
→ Respeite as orientações militares;
→ Não entre em ruínas ou edifícios fechados;
→ Não ultrapasse cercas e portões;
→ Evite fotografar instalações militares sem autorização;
→ Não utilize drones sem verificar as regras;
→ Não retire objetos, pedras ou materiais históricos;
→ Não deixe resíduos na orla;
→ Não entre nas águas próximas;
→ Consulte o transporte de retorno;
→ Permaneça com o grupo durante visitas organizadas.

💬 Perguntas frequentes sobre a Ilha do Bom Jesus
Confira sete orientações complementares para planejar uma visita ou aprofundar a pesquisa sobre o antigo território.
A igreja ainda realiza celebrações religiosas?
A publicação mais recente da UFRJ informa que o templo recebe missas aos domingos. Como horários e condições de entrada podem mudar, a programação deve ser confirmada previamente.
Grupos escolares podem solicitar uma visita?
Visitas acadêmicas ou escolares podem ocorrer quando organizadas com as instituições responsáveis. O grupo deve solicitar orientação antecipada à administração militar ou aos projetos que desenvolvem atividades no local.
É permitido fotografar dentro da igreja?
A autorização pode depender da celebração, do tipo de equipamento e das regras definidas no dia. Fotografias profissionais, filmagens e uso de tripé devem ser consultados antes da visita.
Existe um acervo digital sobre a antiga ilha?
Sim. O Projeto IlhaViva, ligado à Escola de Belas Artes da UFRJ, apresenta história, fotografias, registros ambientais, ilustrações e informações sobre a biodiversidade local.
Pessoas com mobilidade reduzida devem confirmar a acessibilidade?
Sim. A igreja fica em um terreno elevado e o complexo possui estruturas antigas. As condições de acesso, estacionamento e acompanhamento devem ser verificadas antes da visita.
É possível pesquisar documentos sobre o antigo asilo?
Sim. Há registros na Biblioteca Nacional, em acervos militares, na UFRJ e em publicações históricas sobre o Asilo dos Inválidos da Pátria.
O que fazer caso a entrada esteja fechada?
Não tente acessar por portões laterais ou caminhos alternativos. O correto é retornar e buscar informações com a instituição responsável para agendar outra oportunidade.
Por que conhecer a história da Ilha do Bom Jesus?
A história da Ilha do Bom Jesus reúne religião, saúde pública, imigração, escravidão, assistência social, conflitos militares e transformação urbana.
Seu território recebeu franciscanos, doentes, pessoas escravizadas, imigrantes, militares feridos e famílias que construíram suas vidas ao redor do antigo asilo.
A Igreja do Bom Jesus da Coluna permanece como testemunho material dessa trajetória. Já as ruínas, os documentos e as fotografias preservam a memória das estruturas desaparecidas.
Conhecer o antigo território também ajuda a compreender como os aterros transformaram o arquipélago da Enseada de Inhaúma na atual Ilha do Fundão.



