Localizada nas proximidades da Ilha de Paquetá, a Ilha de Brocoió reúne patrimônio histórico, arquitetura singular e uma extensa área verde no interior da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.
Seu principal elemento é o Palácio de Brocoió, uma residência construída no início da década de 1930 e posteriormente incorporada ao patrimônio público. Ao longo dos anos, a propriedade foi utilizada por governadores e autoridades, mas nunca se consolidou como um ponto turístico aberto regularmente à população.
Além da relevância histórica, Brocoió possui proteção cultural e ambiental. A ilha foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural e declarada Área de Relevante Interesse Ecológico pelo município do Rio de Janeiro. Sua destinação institucional mais recente prevê a instalação de um laboratório e de um centro de pesquisas voltados à Baía de Guanabara.
🏝️ Onde fica a Ilha de Brocoió
A Ilha de Brocoió fica no setor nordeste da Baía de Guanabara, dentro do território do município do Rio de Janeiro. Ela integra o conjunto de ilhas ligado ao bairro de Paquetá e está situada a aproximadamente 300 metros da ilha principal.
Brocoió possui cerca de 200 mil metros quadrados, equivalentes a aproximadamente 20 hectares. A proximidade com Paquetá faz com que sua vegetação e o telhado avermelhado do palácio possam ser observados de determinados trechos da orla e durante a navegação pelo entorno.
Entre as ilhas da Baía de Guanabara RJ, Brocoió se diferencia por não possuir ocupação urbana semelhante à encontrada em Paquetá. Sua paisagem é formada principalmente por vegetação, áreas gramadas, trechos costeiros, construções históricas e estruturas de apoio.
Administrativamente, documentos públicos identificam seu endereço como Ilha de Brocoió, Paquetá, Rio de Janeiro/RJ. A legislação estadual também inclui Brocoió entre as ilhas que integram a área registral vinculada a Paquetá.

📜 História da Ilha de Brocoió
Os registros históricos associados à ilha remontam aos primeiros períodos de ocupação da Baía de Guanabara. Algumas fontes institucionais apresentam a possibilidade de que Brocoió tenha sido utilizada como local de confinamento de indígenas considerados rebeldes durante a colonização.
A ilha também esteve ligada à produção de cal. As caieiras aproveitavam conchas e outros materiais calcários encontrados na região para produzir uma substância amplamente empregada nas construções do período colonial e imperial. Documentos do Arquivo Geral da Cidade mencionam a existência de uma fábrica de cal em Brocoió com produção expressiva para a época.
A transformação mais marcante ocorreu nas primeiras décadas do século XX, quando a propriedade foi adquirida pelo empresário Octávio Guinle. A área foi urbanizada e recebeu uma residência projetada pelo arquiteto francês Joseph Gire, profissional também ligado a edifícios importantes da arquitetura carioca.
A mansão ficou pronta em 1932. A partir desse período, Brocoió passou a ser utilizada como propriedade de lazer da família Guinle, recebendo estruturas residenciais, jardins e instalações de apoio.
Em 1944, durante a administração de Henrique Dodsworth, a Prefeitura do então Distrito Federal adquiriu a ilha por seis milhões de cruzeiros. A propriedade passou, assim, para o poder público.
Com a transferência da capital federal para Brasília, em 1960, Brocoió integrou o patrimônio do recém-criado Estado da Guanabara. Após a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, em 1975, ficou vinculada ao novo Governo do Estado do Rio de Janeiro.
Durante diferentes períodos, o palácio foi usado como residência de verão, local de trabalho e espaço de hospedagem para governadores e outras autoridades. Apesar de anúncios feitos ao longo das décadas, a abertura regular da ilha para visitação pública não chegou a ser implantada.
Em 15 de outubro de 1965, a Ilha de Brocoió foi oficialmente tombada pelo patrimônio cultural estadual. O registro do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural reconhece o valor histórico, arquitetônico, cultural e paisagístico do conjunto.
🏛️ Palácio de Brocoió e suas características
O Palácio de Brocoió ocupa uma posição de destaque na paisagem da ilha. A construção apresenta inspiração normanda, perceptível nos telhados bastante inclinados, nas mansardas e nos elementos de madeira aparentes em partes da fachada.
O imóvel possui porão, dois pavimentos residenciais e sótão. Os materiais utilizados em sua construção incluíram peças trazidas da França e de Portugal, reforçando o caráter sofisticado do projeto encomendado pela família Guinle.
A fachada combina superfícies claras, estruturas escuras e cobertura avermelhada. Vista a partir da água, a edificação se destaca entre árvores de grande porte e áreas gramadas, compondo uma das imagens mais características de Brocoió.
Internamente, a residência foi planejada para receber moradores, convidados e funcionários. Alguns ambientes apresentam acabamentos elaborados, como peças de mármore, metais trabalhados e elementos decorativos associados aos estilos art déco e art nouveau.
O complexo não é formado apenas pelo palácio. Registros históricos mencionam uma casa destinada ao administrador, depósito, estufa, abrigo para embarcações, píer, viveiro de peixes, lago e outras construções de apoio.
Esses elementos mostram que Brocoió foi organizada como uma propriedade autônoma, preparada para permanências prolongadas e para a recepção de convidados.

🌿 Paisagem e proteção ambiental
A vegetação ocupa grande parte da Ilha de Brocoió. Árvores de grande porte envolvem o palácio, enquanto gramados, áreas costeiras e trechos mais densos formam a paisagem do interior da ilha.
A combinação entre vegetação e patrimônio construído contribui para a importância paisagística de Brocoió na Baía de Guanabara. O isolamento físico também ajudou a evitar uma ocupação urbana intensa, embora a área tenha sofrido intervenções humanas ao longo de sua história.
Em 2021, a Lei Municipal nº 6.939 declarou a Ilha de Brocoió como Área de Relevante Interesse Ecológico, conhecida pela sigla ARIE. A medida foi criada para proteger e preservar as espécies da biota local.
A legislação determina que o órgão municipal responsável pelo meio ambiente estabeleça o plano de manejo e faça a gestão da área protegida. Construções e atividades que não estejam previstas nesse planejamento ambiental ficam proibidas.
A proteção ambiental complementa o tombamento cultural realizado décadas antes. Dessa maneira, Brocoió possui reconhecimento tanto por seus elementos históricos e arquitetônicos quanto pela importância de sua área natural.
🏢 Qual é a utilização atual da Ilha de Brocoió
A destinação institucional mais recente da ilha está relacionada à pesquisa e ao acompanhamento ambiental da Baía de Guanabara.
Em março de 2024, a Secretaria de Estado da Casa Civil e a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro, a Agenersa, formalizaram um termo de cooperação e uma cessão de uso da propriedade.
O acordo, com prazo de dez anos, prevê a instalação de um laboratório e de um centro de pesquisas administrado pela Agenersa, diretamente ou por meio de instituições contratadas ou conveniadas. O instrumento aparece como vigente na página oficial de acordos institucionais do órgão.
Entre os objetivos previstos estão o desenvolvimento de estudos sobre a poluição da Baía de Guanabara, a criação de estratégias de recuperação ambiental, o monitoramento da biodiversidade marinha e a realização de projetos de educação ambiental.
O acordo também considera iniciativas relacionadas à cultura local, à recuperação das atividades pesqueiras e ao uso comunitário responsável da baía.
É importante diferenciar a destinação planejada do funcionamento integral do centro. Os documentos oficiais confirmam a cessão do imóvel e o planejamento do laboratório, mas não indicam que o complexo esteja funcionando como espaço aberto ao público.
Documentos estaduais recentes continuam incluindo a Ilha de Brocoió entre as propriedades que recebem serviços administrativos, manutenção e segurança institucional. Em maio de 2026, a Subsecretaria Militar do Estado mencionou a atuação da Guarda Palaciana no apoio à segurança e ao funcionamento da ilha.
🚤 É possível visitar a Ilha de Brocoió?
A Ilha de Brocoió não possui programa regular de visitação turística aberto ao público nas informações oficiais consultadas.
Não há venda oficial de ingressos, transporte público direto, calendário de visitas guiadas ou autorização geral para desembarque. A atual destinação da propriedade é institucional e está ligada ao projeto de implantação do laboratório e do centro de pesquisas.
Por essa razão, o acesso deve ser considerado restrito. A aproximação por embarcação particular não concede automaticamente autorização para utilizar o píer, entrar nas construções ou desembarcar na ilha.
Qualquer entrada depende de autorização expressa dos órgãos responsáveis pela administração, pela segurança, pelo patrimônio cultural e pela proteção ambiental da área.
Também não é recomendável tentar acessar Brocoió por estruturas antigas, trechos costeiros ou pontos não preparados para desembarque. Além da restrição institucional, existem riscos ligados às condições do terreno, às instalações e à navegação.
Atualmente, os registros oficiais confirmam o uso institucional e a manutenção de segurança na ilha, mas não anunciam sua abertura como atração turística.

👀 Como observar a Ilha de Brocoió
A maneira mais adequada de conhecer visualmente Brocoió é observá-la à distância.
Como a ilha está localizada a cerca de 300 metros de Paquetá, sua vegetação e partes do palácio podem ser vistas de pontos da orla voltados para ela. A visibilidade depende do local, das condições climáticas e da presença de outras ilhas ou formações no campo de visão.
Brocoió também pode ser avistada durante deslocamentos de embarcações autorizadas que navegam pelo entorno de Paquetá. Entretanto, rotas e condições de navegação podem variar, e a simples passagem próxima não inclui direito de desembarque.
Ao observá-la da água, os elementos mais facilmente reconhecíveis são o telhado avermelhado do palácio, as áreas gramadas próximas à construção, as árvores de grande porte e a linha costeira.
Avistar a ilha é uma experiência diferente de visitá-la. Mesmo quando uma embarcação passa perto de Brocoió, a área interna continua sujeita às regras de acesso institucional, patrimonial e ambiental. A distância aproximada em relação a Paquetá está registrada na documentação do patrimônio estadual.
🧭 Uma ilha entre a memória e a pesquisa ambiental
A Ilha de Brocoió conserva marcas de diferentes momentos da história do Rio de Janeiro. A produção de cal, a passagem para a família Guinle, a construção do palácio e sua incorporação ao patrimônio público transformaram a ilha ao longo dos séculos.
Hoje, sua relevância ultrapassa o antigo uso como residência de autoridades. O tombamento cultural, a proteção ambiental e a destinação para pesquisas sobre a Baía de Guanabara apontam para uma função ligada à conservação e à produção de conhecimento.
Embora possa ser observada a partir do entorno de Paquetá, Brocoió permanece com acesso restrito. A preservação de suas construções e de sua paisagem exige respeito às regras institucionais e ambientais aplicáveis à propriedade.
❓ Perguntas frequentes sobre a Ilha de Brocoió
Confira respostas rápidas para algumas das principais curiosidades sobre a ilha.
O que significa o nome Brocoió?
A MultiRio registra que a palavra teria origem tupi-guarani e significaria “sussurro”. Como não há consenso linguístico amplamente apresentado nas fontes oficiais, a informação deve ser tratada como uma interpretação tradicional do nome.
A ilha sempre teve seu formato atual?
Não. Registros históricos indicam que Brocoió era formada por duas pequenas ilhas interligadas. A urbanização e os aterros realizados no século XX modificaram sua geografia e ajudaram a formar a área atual.
Existem fotografias antigas da Ilha de Brocoió?
Sim. O acervo Brasiliana Fotográfica, mantido pela Biblioteca Nacional e pelo Instituto Moreira Salles, possui uma vista aérea da Ilha de Brocoió datada de 30 de junho de 1934.
O tombamento protege apenas o palácio?
O cadastro do Inepac identifica como bem tombado a “Ilha de Brocoió na Baía de Guanabara”, indicando a proteção do conjunto associado à ilha, e não somente de um elemento isolado da construção.
A criação da ARIE impede qualquer intervenção na ilha?
Não necessariamente. A lei proíbe construções e atividades que não estejam previstas no plano de manejo. Intervenções autorizadas para conservação, pesquisa, segurança ou recuperação do patrimônio precisam seguir as normas ambientais e patrimoniais aplicáveis.



