A Ilha de Villegagnon na Baía de Guanabara está localizada diante do Centro do Rio de Janeiro, ao lado do Aeroporto Santos Dumont. O local ocupa uma posição estratégica entre a área central da cidade, a entrada da baía e antigas rotas marítimas utilizadas desde o período colonial.
Conhecida no século XVI como Ilha de Serigipe, a formação foi escolhida pelos franceses para sediar o Forte Coligny, núcleo da experiência colonial chamada França Antártica. A ocupação começou em 1555 e foi interrompida pela ofensiva portuguesa de 1560, embora a presença francesa na região só tenha terminado definitivamente em 1567.
Atualmente, a ilha abriga a Escola Naval, instituição responsável pela formação de oficiais da Marinha do Brasil. Apesar de continuar sendo uma área militar, existe um programa oficial de visitas promovido pela Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha.
🧭 Onde fica a Ilha de Villegagnon?
A ilha fica no município do Rio de Janeiro, em frente à região central e muito próxima ao Aeroporto Santos Dumont. Seu endereço institucional está vinculado à Avenida Almirante Silvio de Noronha, no Centro.
Sua localização permite identificá-la pelos grandes edifícios brancos da Escola Naval, pelos cais e pelas áreas esportivas. Ao fundo, dependendo do ponto de observação, aparecem o Pão de Açúcar, a Urca e outros elementos da paisagem da Baía de Guanabara Rio de Janeiro.
No setor central da baía também está a Ilha Fiscal, ligada à história marítima e institucional do Rio de Janeiro. As duas ilhas possuem funções diferentes, mas aparecem com frequência nas paisagens observadas a partir da região da Praça XV e da orla central.
Hoje, Villegagnon está separada da Avenida Almirante Silvio de Noronha por uma pequena ligação, situação muito diferente daquela encontrada pelos franceses no século XVI, quando a formação ficava mais afastada do continente.

Quais nomes a ilha recebeu ao longo da história?
A página histórica da Escola Naval registra diferentes denominações associadas à ilha: Serigipe, Itamoguaia, Monte das Palmeiras, Ilha dos Franceses e Villegagnon. Cada nome aparece relacionado a períodos, ocupações ou interpretações diferentes.
A denominação Serigipe, também grafada Sergipe em algumas fontes, era utilizada quando os franceses chegaram à Baía de Guanabara.
O nome atual homenageia Nicolas Durand de Villegagnon, comandante da expedição francesa que chegou em 1555. A denominação consolidou-se após o fim da ocupação francesa e permaneceu mesmo com as sucessivas transformações militares e urbanas.
🗃️ História da Ilha de Villegagnon
A trajetória documentada da ilha ganhou destaque em novembro de 1555, quando a expedição comandada por Nicolas Durand de Villegagnon entrou na Baía de Guanabara. Depois de avaliar outras posições, o grupo estabeleceu-se na Ilha de Serigipe e iniciou a construção do Forte Coligny.
A fortificação tornou-se o centro político e militar da França Antártica. O projeto pretendia consolidar a presença francesa no litoral, participar do comércio do pau-brasil e criar uma colônia que também pudesse receber grupos envolvidos nos conflitos religiosos europeus.
Villegagnon retornou à França em 1559. Em março de 1560, tropas portuguesas lideradas pelo governador-geral Mem de Sá atacaram e conquistaram o Forte Coligny. Sem homens suficientes para manter a posição, os portugueses destruíram a fortificação.
Parte dos franceses refugiou-se no continente e manteve alianças com grupos tamoios. A expulsão definitiva ocorreu somente em 1567, depois das campanhas relacionadas à fundação do Rio de Janeiro por Estácio de Sá e aos confrontos em Uruçumirim.
A importância defensiva da ilha voltou a ser reconhecida no fim do século XVII. Em 1695, começou a construção da Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição de Villegagnon, posteriormente relacionada também à denominação Fortaleza de São Francisco Xavier.
Durante os séculos seguintes, a ilha permaneceu vinculada à defesa e à atividade naval. Em 1938, tornou-se a sede definitiva da Escola Naval.
⚜️ Quem foi Nicolas Durand de Villegagnon?
Nicolas Durand de Villegagnon nasceu na França em 1510 e seguiu carreira naval. Sua experiência militar e suas relações políticas contribuíram para que assumisse o comando da expedição destinada a criar um estabelecimento francês na América portuguesa.
Ao chegar à Baía de Guanabara, escolheu uma pequena ilha rochosa para instalar a base principal. A posição facilitava a defesa contra ataques marítimos, embora a falta de água e as dificuldades de abastecimento tornassem a permanência no local bastante dura.
O comandante batizou a ilha em homenagem ao rei francês Henrique II e deu ao forte o nome de Coligny, referência ao almirante Gaspard de Coligny, apoiador da expedição.
Conflitos políticos, religiosos e disciplinares enfraqueceram a colônia. Villegagnon regressou à França antes do ataque português de 1560, mas seu nome permaneceu ligado definitivamente à formação insular.
O que foi a França Antártica?
A França Antártica foi uma tentativa francesa de estabelecer uma colônia na região da Baía de Guanabara entre 1555 e 1560.
O empreendimento possuía interesses econômicos, estratégicos e religiosos. Os franceses pretendiam participar da exploração do pau-brasil, desafiar o domínio português e criar um espaço que pudesse acolher colonos franceses em meio às tensões religiosas da Europa.
A colônia dependia das alianças estabelecidas com povos indígenas, especialmente grupos que resistiam à escravização e à expansão portuguesa. Os relatos de André Thevet e Jean de Léry mostram que os franceses também dependiam dos conhecimentos e alimentos fornecidos pelos habitantes locais.
A tomada do Forte Coligny em 1560 encerrou a ocupação organizada da ilha, mas não eliminou imediatamente a presença francesa no entorno da baía.
🏰 O Forte Coligny
O Forte Coligny foi construído pelos franceses logo após sua chegada à Ilha de Serigipe, em 1555. Seu nome homenageava Gaspard de Coligny, figura importante no apoio político à expedição.
A estrutura ocupava o terreno rochoso da ilha e possuía baterias voltadas para o mar. Além da defesa, organizava os alojamentos, os depósitos e a administração da colônia.
As condições naturais eram difíceis. A ilha não possuía fonte suficiente de água potável, o que tornava o assentamento dependente do abastecimento vindo do continente e das relações com os indígenas.
O forte foi conquistado e destruído pelos portugueses em 1560. Por isso, não existe atualmente uma fortificação francesa preservada integralmente.
A Escola Naval mantém referências à antiga ocupação, enquanto documentos e plantas históricas ajudam a localizar as estruturas construídas posteriormente no mesmo território.
🗡️ Como os portugueses retomaram a ilha?
A ofensiva foi organizada pelo governador-geral Mem de Sá, que chegou à Baía de Guanabara com reforços portugueses e combatentes vindos de outras capitanias.
O ataque ocorreu em março de 1560. Depois da conquista, o Forte Coligny foi destruído, pois Mem de Sá não dispunha de efetivos e recursos suficientes para manter uma guarnição permanente na ilha.
A tomada de Villegagnon não significou a expulsão imediata de todos os franceses. Sobreviventes refugiaram-se em áreas continentais e continuaram contando com aliados tamoios.
Em 1565, Estácio de Sá fundou a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro como base para a campanha portuguesa. Os conflitos terminaram em 1567, com a derrota dos redutos franceses e indígenas que ainda resistiam.
🛡️ A transformação em área militar
A posição da ilha continuou sendo considerada estratégica depois da retirada dos franceses.
A partir de 1695, os portugueses iniciaram a construção de uma nova fortificação. O local passou a ser conhecido como Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição de Villegagnon e também aparece em documentos como Fortaleza de São Francisco Xavier.
As estruturas sofreram modificações, reconstruções e substituições ao longo dos períodos colonial, imperial e republicano. A ilha também esteve relacionada a acontecimentos como a Revolta da Armada, antes de receber definitivamente a Escola Naval.
Em outro setor da baía, a Ilha do Bom Jesus também teve usos religiosos, assistenciais e militares.
⚓ A Escola Naval na Ilha de Villegagnon
A Escola Naval instalou-se definitivamente na ilha em 1938. Sua origem remonta à Academia Real de Guardas-Marinha, criada em Lisboa em 1782 e transferida para o Rio de Janeiro com a Corte portuguesa, em 1808.
A instituição forma oficiais para os Corpos da Armada, de Fuzileiros Navais e de Intendentes da Marinha.
O complexo possui salas de aula, alojamentos, biblioteca, laboratórios, áreas esportivas, museu, planetário, cais e meios utilizados na instrução. Essas instalações cumprem funções acadêmicas e militares, não devendo ser interpretadas como espaços permanentemente abertos à circulação pública.
A localização dentro da Baía de Guanabara RJ aproxima a formação acadêmica das atividades marítimas e mantém uma ligação simbólica com a história naval brasileira.

O que existe atualmente na ilha?
A maior parte do território é ocupada pela Escola Naval. O conjunto inclui edifícios destinados ao ensino, à administração, ao alojamento dos aspirantes, à prática esportiva e ao treinamento naval.
Entre os espaços apresentados no roteiro oficial de visita estão os pátios Inhaúma e Saldanha, o Túnel Histórico e o Museu da Escola Naval.
O portão do antigo túnel da fortaleza portuguesa ainda pode ser visto e funciona como referência das diferentes fases de ocupação militar da ilha.
Há também canhões históricos e elementos relacionados à memória da Marinha, mas a localização e a função de setores operacionais não devem ser detalhadas fora dos materiais divulgados oficialmente.
Como a configuração da ilha foi modificada?
A Ilha de Villegagnon era menor e mais distante do continente durante o século XVI.
Suas feições atuais foram profundamente alteradas durante a década de 1930. Os aterros relacionados à implantação do Aeroporto Santos Dumont aproximaram a ilha da margem, enquanto a construção da Escola Naval acrescentou cais, edifícios, pátios e outras estruturas.
Hoje, uma pequena ligação separa o complexo da Avenida Almirante Silvio de Noronha. Mesmo assim, o acesso público ocorre exclusivamente pelos procedimentos definidos pela Marinha.
Essas mudanças explicam por que mapas e gravuras da França Antártica apresentam uma formação muito diferente daquela observada atualmente.
Relação com a Baía de Guanabara
A posição próxima à entrada da baía permitia controlar embarcações que seguiam em direção ao interior e à área central do Rio de Janeiro.
No século XVI, essa condição favoreceu a escolha francesa. Posteriormente, justificou a reconstrução de fortificações portuguesas e a permanência de instalações militares.
Atualmente, a ilha continua inserida em uma área de intensa circulação naval, turística e aeroportuária. Sua presença contribui para a paisagem formada pelo Centro, Aeroporto Santos Dumont, Urca, Niterói e Pão de Açúcar.
Mais ao norte estão grandes formações como a Ilha do Governador e a Ilha do Fundão. Dentro do Fundão, a antiga Ilha do Catalão representa outro exemplo de território insular transformado por intervenções urbanas.
🏺 A Ilha de Villegagnon possui patrimônio histórico?
O valor histórico da ilha está relacionado à França Antártica, ao Forte Coligny, às fortificações portuguesas e à presença da Escola Naval.
A Marinha mantém o Túnel Histórico, o museu, canhões, monumentos e outros elementos ligados às diferentes fases do local. Plantas antigas da fortaleza também estão preservadas no acervo da Secretaria do Patrimônio da União.
Não há confirmação oficial de que toda a ilha esteja tombada como um único bem. Sua preservação ocorre sobretudo pela administração militar, pelos acervos históricos e pelas pesquisas realizadas por instituições ligadas à Marinha.
Em 2023, três âncoras históricas foram identificadas nas proximidades. Os objetos, possivelmente dos séculos XVIII e XIX, passaram a ser estudados no contexto do patrimônio cultural subaquático.
🎟️ É possível visitar a Ilha de Villegagnon?
Sim. A Marinha mantém atualmente uma visitação oficial programada, geralmente realizada uma vez por mês.
A saída ocorre no Espaço Cultural da Marinha, na região da Praça XV. O visitante deve adquirir o ingresso, fazer a validação e utilizar exclusivamente o transporte disponibilizado pela instituição.
Não é permitido chegar à ilha por carro próprio, van, ônibus particular ou embarcação privada. Mesmo existindo uma ligação terrestre, a entrada continua submetida ao controle militar.
Datas, preços, disponibilidade e condições de navegação podem mudar. A página oficial deve ser consultada antes da compra e novamente antes do deslocamento.
🚊 Como chegar para a visita à Ilha de Villegagnon?
O ponto inicial do passeio oficial fica no Espaço Cultural da Marinha, próximo à Praça XV. Não se deve seguir diretamente para o portão da Escola Naval.
Transporte público
A região da Praça XV pode ser acessada por ônibus, VLT, metrô combinado com caminhada e barcas.
O passageiro deve consultar o trajeto atualizado até o Espaço Cultural da Marinha, onde ocorre a validação do ingresso e a organização do grupo.
Carro ou aplicativo
Ao utilizar carro ou aplicativo, informe como destino o Espaço Cultural da Marinha, e não a Escola Naval.
A área central pode apresentar bloqueios, eventos e limitações de estacionamento. Reserve tempo adicional para caminhar até a entrada e realizar o check-in.
Bicicleta ou caminhada
É possível chegar à Praça XV pelas áreas públicas da orla central, utilizando calçadas e ciclovias disponíveis no trajeto.
A bicicleta não autoriza o acesso direto à ilha. O visitante deve seguir o mesmo procedimento oficial de embarque ou transporte organizado pela Marinha.
Transporte aquaviário
As barcas regulares chegam à Praça XV, mas não desembarcam na Ilha de Villegagnon.
O trecho até a Escola Naval é realizado somente pelo meio disponibilizado no passeio oficial. Não tente se aproximar ou desembarcar utilizando embarcação particular.
🔭 De onde observar a Ilha de Villegagnon?
A ilha pode ser observada de áreas públicas próximas ao Aeroporto Santos Dumont e de determinados trechos da orla central.
As travessias marítimas entre Rio e Niterói também podem proporcionar vistas, embora a distância e o ângulo dependam da rota da embarcação.
Os edifícios brancos, o cais e os espaços esportivos ajudam na identificação. Em dias claros, o contraste com o Pão de Açúcar torna a paisagem mais reconhecível.
Fotografias feitas de áreas públicas são possíveis, mas não se deve usar drones ou direcionar equipamentos para setores militares restritos sem autorização.

🖼️ Fotografias, mapas e registros históricos
A França Antártica aparece em mapas, gravuras e relatos produzidos por viajantes como André Thevet e Jean de Léry.
A Biblioteca Nacional mantém documentos e conteúdos digitais relacionados à ocupação francesa. A Secretaria do Patrimônio da União conserva uma planta da fortaleza portuguesa existente posteriormente na ilha.
Essas imagens precisam ser analisadas considerando a data e a finalidade. Gravuras do século XVI frequentemente combinam observação, convenções artísticas e interpretações europeias.
Fotografias do século XX permitem acompanhar os aterros, a construção do Aeroporto Santos Dumont e a implantação da Escola Naval.
⚠️ Cuidados durante a visita
• Compre o ingresso somente pelos canais indicados pela Marinha;
• Faça a validação no Espaço Cultural da Marinha;
• Leve documento de identificação;
• Não tente acessar a ilha por meios próprios;
• Use calçado firme e sem salto;
• Respeite as orientações dos militares e guias;
• Não ultrapasse barreiras;
• Não fotografe setores sinalizados como restritos;
• Não utilize drones sem autorização;
• Considere as condições de maré e navegação;
• Consulte possíveis cancelamentos antes da saída;
• Respeite seus limites físicos durante rampas e escadas.
💬 Perguntas frequentes sobre a Ilha de Villegagnon
Confira seis informações complementares para organizar a visita e aprofundar a pesquisa histórica.
Quais pontos fazem parte do passeio oficial?
O roteiro divulgado pela Marinha inclui os pátios Inhaúma e Saldanha, o Túnel Histórico e o Museu da Escola Naval. A programação pode sofrer alterações conforme as atividades da instituição.
O passeio é acessível para usuários de cadeira de rodas?
A Marinha informa que as condições de embarque, o movimento da prancha e a inclinação de alguns trechos impedem atualmente o acesso de pessoas que utilizam cadeira de rodas.
Existe venda de alimentos na ilha?
Não há ponto de venda de alimentos ou bebidas na Escola Naval durante o passeio. Existem banheiros e bebedouros, e a orientação é levar garrafa ou copo.
A visita pode ser cancelada?
Sim. Mau tempo, vento, nevoeiro, ressaca, problemas de navegação ou avarias na embarcação podem provocar adiamento ou cancelamento, inclusive próximo ao horário de saída.
Foram encontrados objetos arqueológicos no entorno?
Sim. Em 2023, três âncoras do tipo Almirantado foram encontradas perto da ilha. Estudos indicam que podem estar submersas há aproximadamente dois séculos.
Onde consultar plantas antigas da fortaleza?
O projeto Memória SPU disponibiliza informações sobre uma planta da Fortaleza de Villegagnon, cuja cópia preservada foi produzida em 1924.
Por que conhecer a história da Ilha de Villegagnon?
A Ilha de Villegagnon ocupa um lugar central na história do Rio de Janeiro. Foi sede do Forte Coligny, núcleo da França Antártica, e participou diretamente dos conflitos que antecederam a consolidação portuguesa na região.
Depois da destruição da fortificação francesa, a posição estratégica continuou sendo aproveitada para a defesa da cidade e para atividades navais.
A instalação da Escola Naval em 1938 acrescentou uma nova fase à trajetória do território, unindo memória histórica, ensino superior e formação militar.
Conhecer a Ilha de Villegagnon permite compreender como uma pequena formação rochosa influenciou disputas coloniais, a fundação do Rio e o desenvolvimento naval na Baía de Guanabara RJ.



