A presença de um porta-aviões na Baía de Guanabara transforma temporariamente a paisagem marítima do Rio de Janeiro. Essas embarcações chamam atenção pelas dimensões, pelo convés de voo e pela estrutura que permite operar diferentes tipos de aeronaves.
Entretanto, a relação da baía com porta-aviões não se limita ao impacto visual. Durante décadas, a região esteve ligada às atividades dos navios-aeródromos brasileiros, especialmente o NAeL Minas Gerais e o NAe São Paulo.
A Baía de Guanabara RJ também recebe, ocasionalmente, embarcações militares estrangeiras durante visitas oficiais, exercícios conjuntos e missões de cooperação naval. Essas passagens são eventos excepcionais, realizados com planejamento e controle das autoridades marítimas.
⚓ Por que a Baía de Guanabara é importante para grandes navios?
A localização e a infraestrutura marítima ajudam a explicar a presença histórica de grandes embarcações militares na região. A entrada da baía é delimitada pelas proximidades do Morro do Pão de Açúcar e da Fortaleza de Santa Cruz, conectando o oceano às áreas portuárias do Rio de Janeiro e de Niterói.
Segundo a PortosRio, o canal de acesso utilizado pelo Porto de Niterói possui aproximadamente 18,5 quilômetros de comprimento e 150 metros de largura. A entrada apresenta profundidade média de cerca de 20 metros, embora as condições operacionais variem conforme o trecho, o calado da embarcação e as normas de navegação aplicáveis.
A Baía de Guanabara Rio de Janeiro também reúne instalações portuárias, áreas de fundeio, estruturas de manutenção naval e organizações da Marinha do Brasil. Essa concentração possibilitou que a região participasse diretamente da história da Esquadra e da aviação naval brasileira.
A movimentação de uma embarcação do porte de um porta-aviões exige coordenação entre o comando do navio, a Autoridade Marítima, a autoridade portuária, a praticagem e as embarcações de apoio. Serviços de praticagem e rebocadores fazem parte da estrutura disponível para manobras nos portos da baía.
🛳️ Os porta-aviões brasileiros ligados à Baía de Guanabara
Dois navios marcaram de maneira especial a história brasileira dos porta-aviões: o NAeL Minas Gerais e o NAe São Paulo. Ambos tiveram forte ligação operacional com o Rio de Janeiro e utilizaram a região da Baía de Guanabara como parte de sua rotina naval.
NAeL Minas Gerais
O Navio-Aeródromo Ligeiro Minas Gerais foi o primeiro porta-aviões operado pela Marinha do Brasil. A embarcação havia pertencido à Marinha Real Britânica e passou por uma extensa modernização antes de ser incorporada ao serviço brasileiro em 1960.
Entre as mudanças realizadas estavam adaptações no convés de voo, instalação de catapulta a vapor, aparelhos de parada, elevadores, radares e equipamentos de orientação para pousos. Essas modificações permitiram que o navio cumprisse funções relacionadas à aviação embarcada e à guerra antissubmarino.
Em 17 de janeiro de 1961, o Minas Gerais deixou o estaleiro em Roterdã com destino ao Brasil. No dia 2 de fevereiro, entrou no Porto do Rio de Janeiro trazendo sua tripulação e aeronaves utilizadas no treinamento das operações no convés.
Ao longo de aproximadamente quatro décadas, o navio participou de exercícios, viagens de instrução, operações internacionais e atividades de adestramento da Esquadra. A Baía de Guanabara fazia parte de sua ligação cotidiana com o Rio de Janeiro e com as estruturas de apoio da Marinha.
Em janeiro de 2001, o Minas Gerais participou de uma operação histórica na qual ocorreram pousos e decolagens de aviões AF-1 Skyhawk pilotados por aviadores navais brasileiros. Pouco depois, o veterano navio também participou da recepção ao seu sucessor, o NAe São Paulo, nas proximidades da Baía de Guanabara.
A baixa do Minas Gerais foi determinada em setembro de 2001. Sua Mostra de Desarmamento ocorreu em 9 de outubro daquele ano, no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, encerrando 40 anos de serviço ativo.
NAe São Paulo
O NAe São Paulo era o antigo porta-aviões francês Foch. A embarcação foi adquirida pelo Brasil em 2000 e incorporada à Marinha do Brasil em uma cerimônia realizada na cidade francesa de Brest, em 15 de novembro daquele ano.
Em fevereiro de 2001, o navio iniciou sua viagem para o Brasil. No dia 17, entrou na Baía de Guanabara, fundeando nas proximidades da Escola Naval. A chegada foi acompanhada por outros navios brasileiros, incluindo o Minas Gerais, que ainda estava em seus últimos meses de serviço.
O São Paulo ampliou a capacidade brasileira de operar aeronaves de asa fixa a partir do mar. Seu convés recebeu aviões AF-1 Skyhawk em operações de pouso, lançamento por catapulta e qualificação de pilotos.
A relação da embarcação com a Baía de Guanabara RJ foi constante. O navio permaneceu ligado ao Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, à Ilha das Cobras e às áreas marítimas utilizadas pela Esquadra para testes, manutenção e adestramentos.
Problemas técnicos, acidentes e períodos prolongados de manutenção limitaram sua disponibilidade operacional. A Marinha decidiu posteriormente encerrar sua operação, e a Mostra de Desarmamento foi realizada em cumprimento a uma portaria de novembro de 2018.

🌎 Porta-aviões estrangeiros na Baía de Guanabara
A Baía de Guanabara também pode receber porta-aviões estrangeiros durante visitas diplomáticas, exercícios navais e operações de cooperação com a Marinha do Brasil.
Essas passagens não significam que a embarcação permanecerá de forma permanente no Rio de Janeiro. Normalmente, o navio fica fundeado por um período determinado e segue viagem após o cumprimento da programação oficial.
Um exemplo recente ocorreu em maio de 2026, quando o porta-aviões norte-americano USS Nimitz permaneceu na Baía de Guanabara durante a Operação Southern Seas 2026.
A Marinha do Brasil realizou monitoramento radiológico contínuo entre os dias 6 e 12 de maio, abrangendo o período anterior ao fundeio, a permanência do navio e o dia seguinte à sua saída do Rio de Janeiro. Foram feitas medições no ar e coletas de água e sedimentos para acompanhamento ambiental e de segurança.
Após a visita ao Rio, o USS Nimitz participou de atividades no Oceano Atlântico com navios brasileiros. A Marinha dos Estados Unidos informou que os exercícios incluíram comunicações, manobras em formação, treinamento antissubmarino e defesa aérea.
A passagem do Nimitz demonstra que a presença de porta-aviões estrangeiros está relacionada a eventos programados, cooperação internacional e procedimentos específicos de segurança. Não se trata, portanto, de uma circulação cotidiana pela baía.

🧭 Como um porta-aviões entra na Baía de Guanabara?
A entrada de um porta-aviões começa muito antes de a embarcação aparecer entre as margens do Rio de Janeiro e de Niterói. A operação depende da análise de dimensões, calado, condições meteorológicas, tráfego marítimo e disponibilidade das áreas autorizadas para fundeio ou atracação.
Ao se aproximar da barra, o navio segue os procedimentos definidos para a navegação local. A manobra pode envolver profissionais da praticagem e rebocadores, especialmente quando é necessário auxiliar mudanças de direção, aproximações ou controle de velocidade.
A Capitania dos Portos do Rio de Janeiro estabelece regras para a segurança do tráfego aquaviário nos canais de acesso. Essas normas podem determinar condições temporárias, limites operacionais e restrições para determinadas embarcações ou áreas da baía.
Embarcações militares também adotam seus próprios protocolos de proteção. Por isso, áreas próximas ao navio podem ter circulação limitada durante o período de permanência.
Essas restrições não significam necessariamente a ocorrência de algum problema. Elas fazem parte dos procedimentos utilizados para proteger o tráfego marítimo, a tripulação, as demais embarcações e as instalações próximas.
✈️ O que diferencia um porta-aviões de outros navios militares?
O principal elemento de um porta-aviões é o convés de voo preparado para pousos e decolagens. Nos modelos convencionais, podem existir catapultas para lançamento de aviões, cabos de parada, elevadores e hangares destinados ao armazenamento e à manutenção das aeronaves.
O Minas Gerais e o São Paulo foram concebidos para operar aeronaves de asa fixa e helicópteros. Por esse motivo, representaram fases importantes do desenvolvimento da aviação naval brasileira.
Outros navios possuem convés amplo, mas desempenham funções diferentes. Porta-helicópteros e navios-aeródromos multipropósito podem transportar helicópteros, tropas, veículos, equipamentos e estruturas de apoio para operações humanitárias.
A classificação oficial é importante porque evita tratar qualquer navio com convés de voo como um porta-aviões convencional.
🚢 O Brasil ainda possui um porta-aviões?
O Brasil não opera atualmente os antigos porta-aviões Minas Gerais e São Paulo. Os dois navios foram retirados do serviço ativo após cumprirem diferentes períodos na história naval brasileira.
A principal embarcação brasileira com grande convés de voo é o Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico, identificado como A140. O navio é a Capitânia da Esquadra e foi projetado para controle de áreas marítimas, projeção de poder, operações humanitárias, evacuação de pessoas e missões de paz.
O Atlântico tem capacidade para transportar aeronaves em seu hangar e convés, além de militares e equipamentos. Contudo, sua classificação e suas funções não são idênticas às dos antigos porta-aviões brasileiros equipados com catapultas para aviões de asa fixa.
👀 É possível observar um porta-aviões na Baía de Guanabara?
A observação depende da presença efetiva de uma embarcação na região. Não existe programação permanente de entrada de porta-aviões na Baía de Guanabara Rio de Janeiro.
Quando uma visita é divulgada oficialmente, o grande porte do navio pode permitir sua visualização a partir de diferentes áreas públicas voltadas para a baía. A posição exata, porém, depende do local de fundeio, das condições de visibilidade e das restrições impostas durante a operação.
Áreas próximas à Urca, ao Aterro do Flamengo e à orla de Niterói podem oferecer vistas da movimentação marítima, mas não há garantia de que o navio ficará visível a partir de todos esses pontos.
O público deve respeitar os limites de navegação, as áreas militares e as orientações da Capitania dos Portos. A aproximação por embarcação particular não deve ser realizada sem conhecimento das regras vigentes.
Também não se deve presumir que o porta-aviões estará aberto para visitas. O acesso ao interior depende de autorização e de programação pública divulgada pela Marinha responsável pela embarcação.
A Baía de Guanabara como cenário da história naval
A imagem de um porta-aviões diante da paisagem carioca representa mais do que um encontro entre uma grande embarcação e um dos cartões-postais do Brasil.
Ela mostra que a Baía de Guanabara também é um espaço de navegação, infraestrutura, cooperação internacional e memória naval. Foi nessa região que diferentes gerações de navios brasileiros se encontraram e onde embarcações estrangeiras continuam realizando visitas excepcionais.



